A flor solitária

 

Uma flor solitária na beira de um penhasco.

Nascida entre as rochas, onde não se diria ser possível qualquer forma de vida, seja pela escassez de alimento provido pelo solo infértil, seja pela proximidade do abismo e do vento forte e frio.

Mas a flor, contrariando a nossa razão, reina soberana naquele espaço.

E sua beleza é tão singular, sua delicadeza quase nos faz chorar e pensar em como a natureza é perfeita, em como Deus é bom.

E a flor, apesar de solitária, está próxima do céu, contemplando a imensidão azul, as nuvens que se movimentam, como a dançar ao sabor do vento.

A flor, apesar de sozinha, contempla a luz do sol de perto, sente o calor que lhe traz vida em suas pétalas, em suas folhas.

A flor, apesar de solitária recebe o orvalho da manhã com a alma agradecida pelo frescor que lhe invade o ser, que permite que ela permaneça viva e viçosa.

E a flor, mesmo quando chega o inverno e perde todas as suas pétalas, se encolhendo dentro de si, se escondendo do frio, está apenas adormecida, refletindo e se preparando para quando a primavera chegar.

Assim também, saibamos, mesmo nos sentindo sozinhos, aproveitar as coisas boas da vida, aproveitar as bênçãos que a natureza nos concede, as bênçãos que o Pai nos dá e sermos felizes com o que temos.

Mesmo que nos encontremos à beira de um abismo, onde à primeira vista pode parecer que estamos em perigo e que não temos saída, olhemos adiante e contemplemos a imensidão.

Pense que quanto maior o abismo, maior a queda. Mas também, quanto mais alto subirmos, mais nos aproximaremos do Pai.

 

Evanhoé (25/08/07)