Vim escrever

            Eu via aquele papel em branco e queria escrever, mas mal tinha forças para me mover. A vontade de escrever algo naquele papel era imensa, mas eu não conseguia. Apagava. Acordava novamente e de novo a vontade de escrever e a falta de forças. Apaguei de novo.

        Agora acordo numa maca de hospital, sinto-me melhor, consigo me mexer, e vejo o papel em branco ao lado, não resisto. Vim escrever.

Meus amigos, por favor afastem-se dos caminhos “fáceis” que os levam às drogas. Posso dizer a vocês que tudo o que dizem os “amigos” é enganador.

 

Todo aquele “barato” que nos prometem, na verdade nos leva para um caminho difícil e praticamente sem volta.

 

Digo praticamente sem volta porque é muito difícil se libertar das drogas.

 

No meu caso só se deu após a morte do meu corpo físico. Agora, quando me vejo neste local limpo e de ambiente agradável que julgo ser um hospital.

 

Fiz minha família sofrer muito, me julgando esperto demais, que ia conseguir largar das drogas quando quisesse...

 

Doce ilusão! Só agora vejo e reconheço.

 

Peço perdão a meus pais pelo tanto que os fiz sofrer, durante a vida e por causa de minha morte, que os abalou demais.

 

Agradeço a Deus a oportunidade de ter sido socorrido e mais ainda de poder escrever essas palavras.

 

Mais uma vez, meus amigos, afastem-se de qualquer pessoa ou situação que os possa levar para o caminho das drogas.

 

Fiquem em paz.

Augusto (16/02/2008)