Ainda sinto dores horríveis

 

Ainda hoje sinto dores horríveis na cabeça. Quando encarnado, muito maltratei o meu corpo, muito debilitei o meu organismo.

Não vou contar  detalhes do que aconteceu comigo. Tenho assistido as reuniões de vocês e sei que vocês já receberam diversas mensagens de histórias e relatos como o meu e não quero ser repetitivo.

Todos nós que nos envolvemos com este mundo pavoroso e sem saída, temos histórias parecidas, ou melhor, o fim das histórias é que é sempre o mesmo.

O sofrimento que passamos e que fizemos os que nos amam sentir é o que mais me dá tristeza. Sei que fiz  minha família sofrer muito, sei que eles me amavam e não queriam que eu tivesse um fim tão triste, mas nada puderam fazer para me impedir de enveredar por estes caminhos sem volta.

Quero dizer a vocês que continuem com este trabalho tão importante de auxílio, doação de fluidos e ajuda no resgate de jovens que, como eu, um dia estiveram no fundo do poço e que precisam muito de ajuda, precisam muito de amor e compreensão.

Ninguém quer sofrer pela eternidade, ninguém quer sentir dor indefinidamente. Mas sair deste ciclo de misérias é muito difícil.

Muitos jovens, ou melhor, a maioria desencarna sem ter consciência do que aconteceu com eles, sem ter esperança de recuperação e continuam sentindo necessidade da droga, pois seu perispírito está tão impregnado e tão debilitado que é difícil perceberam o seu novo estado, a sua nova condição e muitos se perdem e caem nas mãos de entidades que querem que eles continuem viciados.

O nosso trabalho é resgatar estes jovens, esclarecê-los e fazê-los compreender a eternidade da alma e levá-los para tratamento.

Nesta primeira fase o sofrimento é muito grande, eu mesmo ainda me encontro em tratamento, ainda tenho dores, mas elas já são bem menores do que quando fui acolhido pelos amigos espirituais que se importaram comigo e hoje ajudo como posso nesta tarefa de resgate de tantos companheiros de infortúnios.

Deus é nosso Pai misericordioso e só quer o bem de seus filhos, mas nós, na nossa imperfeição, temos o nosso livre arbítrio e nem sempre seguimos pelo caminho correto, pela estrada mais curta rumo ao Pai e nos emaranhamos em teias pegajosas e perigosas, difíceis de nos desvencilharmos quando tomamos consciência do perigo em que nos envolvemos e das coisas erradas que fizemos.

Agradeço a Deus pela oportunidade de estar vivo. Sim, digo vivo, pois mesmo desencarnado continuo me sentindo mais vivo do que nunca, continuo lúcido e consciente de tudo o que fiz e planejo muitas coisas para o meu futuro.

E o que eu tenho certeza é de que quero usar cada minuto que eu tiver na luta contra esta realidade monstruosa que são as drogas.

Graças a Deus pela dádiva da vida.

 

Um abraço, Daniel (08/03/08)