Não achava que ia me viciar

 

Esperei tanto tempo por esta oportunidade, fiquei tanto tempo sem poder falar, sem pensar com clareza que nem sei direito como começar a falar, a contar o que aconteceu comigo e o que eu estou sentindo.

Fui recolhido em estado deplorável por amigos dedicados e que me deram muito amor e atenção, há algum tempo, na Estação do Pouso para o Repouso, onde tive tratamento adequado para minha desintoxicação e para a minha recuperação, desde o meu amor próprio até a minha lucidez, coisas que eu havia perdido há muito tempo, coisas que eu nem me lembrava que existiam.

Penso que foi por teimosia, rebeldia e vontade de provar que eu era forte, que eu me envolvi com as drogas. Queria provar para mim mesmo e para a minha família que eu era forte, poderoso, que eu fazia o que queria, que eu era o melhor, pois era assim que as drogas faziam com que eu me sentisse. Mas isso foi no início. Pois depois eu consumia em tal quantidade que o meu organismo foi ficando alterado e eu já não sentia a mesma força e o mesmo prazer de outros tempos. E cada vez o “barato” passava mais rápido e então era preciso consumir mais, mais e mais, num ritmo insano e desenfreado, que acabou me levando ao desencarne.

Muito me arrependo pelo que fiz, muito me entristece lembrar as coisas que passei, mas estou aqui para alertar sobre o perigo real das drogas e deste mundo de tráfico, violência, crimes, consumo e vício.

Eu não achava que iria me viciar quando experimentei pela primeira vez, influenciado por amigos, ou melhor companheiros de escola, pois amigo verdadeiro não envolve o outro neste caminho tão triste e tão perigoso. Mas como fui inocente e tolo, como fui fraco e não soube dizer “Não!”, não soube resistir às fraquezas do meu corpo e do meu espírito.

Que Deus se compadeça de todos os jovens, encarnados e desencarnados, que se encontram envolvidos com esta chaga da humanidade.

Que os homens de bem possam se empenhar no combate a esta ferida que dói, dói e não cicatriza, trazendo dor, sofrimento, desespero e morte a tantas famílias.

Jamais deixem de trabalhar, jamais desistam desta luta e façam o que puderem para tornar o mundo melhor.

Fiquem com Deus e continuem orando por nós.

 

Pedro (08/03/08)