Eu mentia demais

 

Eu mentia demais, eu menti muito, muito mesmo. Pra todo mundo, pra mãe, pro pai, pros professores, pros amigos. Era um mentiroso de marca maior.

Eu não sabia porque fazia isso, gostava de ver as pessoas acreditarem nas mentiras que eu contava. Acho que me sentia forte, poderoso.

Só que essa minha atitude me custou o amor de todas essas pessoas. Todos eles, sem exceção, deixaram de acreditar em mim e de gostar de mim.

Comecei a me sentir sozinho, isolado e acabei encontrando consolo nas drogas.

Quanta besteira fui capaz de fazer, meu Deus! Fui verdadeiramente um fraco, porque só uma pessoa fraca pra fazer o que eu fiz.

Não culpo meus pais, porque eu tinha uma lábia tal que sempre os dobrava. Eu fui o responsável por perder o amor deles.

Quanto arrependimento, quanto sofrimento.

Hoje estou começando a compreender muitas coisas que me aconteceram e quero pedir perdão a meus pais e todos que me amavam, por eu ter sido tão rude.

O caminho pelo qual entrei, só me trouxe tristeza, dor e sofrimento. Eu pensava o contrário, que ia me dar bem, mas não foi assim.

E por enquanto, a única coisa que posso fazer para me redimir dos meus enormes e incontáveis erros, é dizendo isso a vocês.

Quero ajudar de outra forma, talvez trabalhando, orientando, não sei, mas ainda não dá, preciso me recuperar bem.

Meu corpo ficou muito adoentado, preciso me fortalecer. E enquanto me restabeleço, peço a Deus que um dia eu possa ser útil.

Envergonho-me do que fiz e agradeço a forma carinhosa com que sou tratado aqui, com medicamentos, alimento, amor e carinho.

Sou muito grato.

 

Alberto (22/03/08)