Não sei bem com aconteceu

Não sei bem como aconteceu mas quando dei por mim eu estava ali caído, estendido no chão.

E que coisa mais estranha: era o meu corpo, era eu deitado ali naquele chão, mas como eu estava em pé olhando para ele? Como eu podia estar lá e cá ao mesmo tempo? Foi muito estranho até eu entender que tinha morrido e que ao mesmo tempo continuava vivo, ou melhor, até eu entender que a vida continua após a morte, até entender que a nossa alma é eterna e que se separa do nosso corpo quando ele não respira mais.

Eu nunca tinha sentido nada tão esquisito, nada tão estranho. Eu não acreditava nestas coisas, mas descobri tudo da pior forma possível.

Eu achava que a vida era só o que vivemos aqui na Terra, que tudo acabaria quando o meu corpo morresse, quando o meu coração parasse de bater, mas não é bem assim.

E a dor que eu sentia, a falta da droga, tudo que eu era, como eu pensava, as coisas em que acreditava, meu caráter, minhas tendências, tudo isso continua exatamente igual mesmo depois que morremos, mesmo depois de deixarmos esta Terra e aqueles que nos amavam.

Minha família... quando penso neles me vem uma tristeza, sinto até um nó na garganta, por tudo que os fiz passar, por tudo que os fiz sofrer, por todas as coisas que falei, por todas as coisas que fiz.

Mas eu estava tão envolvido que não ouvia ninguém, que não me importava com ninguém, nem com aqueles que eu mais amava e dos quais eu me esqueci completamente depois que me envolvi com as drogas.

Hoje me encontro entre amigos entre amigos, entre pessoas que se importam comigo e que estão me ajudando a me recuperar, a tratar do meu corpo espiritual que foi muito danificado pela ação dos tóxicos.

Quero no futuro poder trabalhar junto a eles para resgatar jovens que se encontram em sofrimento, agonizantes de dor, como eu me encontrei um dia e tive uma mão amiga que se estendeu em meu favor, ainda que já neste lado da vida.

Quando encarnado, diversas vezes minha família quis me ajudar, quis que eu me internasse para tratamento, mas eu fugia, sumia, não queria ajuda, não queria ser ajudado, pois achava que eu estava bem daquele jeito, que eu estava fazendo o que queria. E eu não conseguia ficar sem a droga, nem queria isso. As coisas que eu fazia, eu me arrependia depois, mas era só até tomar a próxima dose, pois esquecia de tudo.

Precisei desencarnar, continuar me drogando, mesmo em espírito, continuar sofrendo, para querer ajuda, para entender que o maior prejudicado com tudo isso era eu mesmo. Foi preciso muito sofrimento para que entendesse o verdadeiro significado e o verdadeiro valor da vida. E implorar a Deus e a Jesus que me ajudassem, que eu estava arrependido e que queria e precisava de ajuda.

E como sempre acontece quando um filho chama um pai, Deus me enviou o seu socorro bendito, pois Ele não nos desampara jamais.

Graças a Deus.

 

Um abraço,

Paulinho (05/04/08)