Overdose

 

Meus olhos estavam avermelhados, minha cabeça parecia que ia explodir, eu suava muito e ao mesmo tempo tremia de frio. Comecei a ficar com medo, afinal o que eu tinha feito comigo?! Por que todo aquele intenso mal-estar, se antes era tão bom?!

É, usar drogas para mim era bom, pelo menos eu achava isso, me dava uma sensação boa. Por que então naquela vez, todo aquele mal-estar? OVERDOSE, esse é o nome do que eu fiz comigo. Meu corpo simplesmente não suportou mais as elevadas quantidades de drogas que eu ingeria, era cada vez mais. Até que não deu mais para o meu corpo, que se apagou, se definhou.

Só que eu continuei a sofrer, mesmo com meu corpo morto, eu estava vivo e sentindo tudo, todos os efeitos maléficos que a droga causa a um organismo. Que surpresa a minha! Não tinha mais o corpo e ainda assim estava vivo e sentia as coisas.

Confesso que fiquei com medo. Queria fugir, correr, sumir, acordar daquele pesadelo no qual me encontrava. Mas ir para onde? Onde eu estava agora?

Me desesperei e chorei muito, chorei tanto que até cansei, e acho que dormi. Quando acordei estava mais calmo e já não sentia tão fortemente os efeitos das drogas.

Lembrei de Deus, de Jesus. Nunca dei importância a Eles e à religião durante a vida, mas sentia-me perdido e sem saber o que fazer ou para onde ir. Afinal, eu ainda vivia.

Então comecei a conversar com Deus, pedi perdão pelos meus erros e pedi que pudesse ser ajudado. Milagrosamente, se é que se pode dizer assim, uma luz intensa foi clareando o ambiente e vi um homem me estendendo a mão.

Fiquei emocionado, chorei, parece que fui atendido diretamente por Deus. Eu que tão mal fiz aos outros e a mim mesmo...

E esse moço que não conhecia, mas era como se conhecesse há tempos. Segui com ele, que me trouxe a esse hospital para me tratar e me curar desse mal que as drogas nos causam.

Pois é, o que morre é só o corpo, nós somos mais que o corpo e sobrevivemos a ele, mesmo que o tenhamos maltratado.

Por isso, cuidem de seus corpos, porque apesar de sobrevivermos a ele, fora dele continuamos a sentir o que de mal fizemos a ele. As drogas, como o nome diz, são drogas, e devem estar bem distantes de nossos corpos. Falo isso porque não desejo a ninguém o sofrimento que tive após a morte do meu corpo.

Se eu não tivesse me drogado tanto e maltratado tanto o meu corpo, o sofrimento não faria parte de minha realidade.

Pensem nisso. Fiquem em paz.

 

Márcio (19/04/08)