Fiquem longe das drogas

    Se eu soubesse que as coisas terminariam do jeito que terminaram, eu jamais teria me aproximado deles. Eu achava que não iria me viciar, que eu era dono do meu próprio nariz, que eu fazia o que queria, que eu comandava as minhas vontades, os meus atos. Mas quanta ilusão, quanto engano!
    Eu me viciei como a grande maioria das pessoas que experimentam as drogas, acreditando que poderão parar quando quiserem, pois não tem idéia da dependência química que causam. E não é só a dependência química, pois comprometem também a parte psíquica, a lucidez e a clareza das idéias.
    As drogas destruíram meu corpo por completo, como uma morte lenta e dolorosa ainda em vida. Até hoje sinto o efeito do que as mesmas ocasionaram em meu corpo físico. Sinto queimação no estômago como se eu tivesse fogo ardendo dentro de mim, desde a minha boca, minha garganta e meu estômago. Sinto muito mal estar ainda.
    É difícil o processo de libertação das drogas. Não digo que seja impossível, mas requer muita disciplina, muita força de vontade, muita perseverança e paciência. O tratamento é longo, cheio de altos e baixos, seja de alterações de humor, seja da vontade de consumir, as chamadas crises de abstinência, que chegam a beirar a loucura. A vontade de me livrar deste mal era tremenda, mas a vontade das drogas era muito maior e sempre acabava vencendo.
    Mesmo depois de desencarnado, mesmo depois de iniciar o tratamento para desintoxicação e recuperação do meu perispírito, a vontade de às vezes largar tudo, de voltar a consumir era muito grande.
    É difícil nos libertarmos da influência do lado material. Mesmo sabendo que eu estava morto, mesmo com toda a ajuda, com todo o tratamento e esclarecimento que recebi dos amigos espirituais, ainda, às vezes, sinto as influências da minha última existência, tenho as sensações marcadas em meu perispírito e não consigo me libertar disso.
    Quando isso acontece, tento pensar em Deus, lembrar que não tenho mais aquele corpo que sofreu tudo isso, não estou mais unida àquele corpo doente, àquele corpo que eu destruí com a minha inconseqüência e irresponsabilidade.
    A todos os jovens que lerem esta mensagem faço um apelo: nunca, jamais se aproximem das drogas. Eu sei que todo mundo diz isso, que vocês já devem ter ouvido seus pais, seus professores e até mesmo seus amigos dizerem que as drogas matam, que as drogas fazem mal e talvez vocês não acreditem muito nisso, ou não tenham consciência de que isso pode acontecer com vocês. Mas ouçam a voz da experiência de alguém que também não acreditou nos mais velhos, não acreditou nas pessoas que tentaram alertá-lo e afastá-lo do perigo das drogas. E que não acreditou que o “bicho” era tão feio como pintavam, que as pessoas que diziam isso eram caretas e não sabiam de nada.
    Mas quanto eu me arrependo, quanto eu gostaria de ter dado ouvidos àqueles que me amavam e realmente se importavam comigo.
    Como eu queria ter tido personalidade, ter sido eu mesmo para dizer “não” às drogas quando me ofereceram e saber que o fato de eu dizer não, de eu não querer experimentar não faria de mim um fraco, um “filhinho de mamãe” como eu ouvi tantas vezes os meus “amigos” falarem para quem recusava.
    Que ilusão! A verdadeira força, a verdadeira coragem teria sido enfrentar as pessoas e não ter experimentado só porque os outros experimentavam, não ter feito só porque todos fizeram. Como eu gostaria de ter sido eu mesmo...
    Mas o medo foi maior, a covardia e a fraqueza foram maiores e eu acabei com a minha vida e com toda e qualquer possibilidade de um futuro feliz.
   Jovens queridos, não se deixem levar por essa ilusão que lhes custará tudo o que vocês conquistaram até hoje, o amor das pessoas queridas e fatalmente a sua vida.
    Digam não! Com toda a força que tiverem. E se por infelicidade vocês já tiverem enveredado por esse caminho, procurem ajuda, procurem se tratar, se livrarem dessa desgraça que os levará á morte.
    Mas a morte não existe e o sofrimento é ainda pior depois que deixamos nosso corpo material, pois sentimos tudo, continuamos tendo vontade e não temos mais o corpo para nos saciarmos.
    Eu suplico a todos os jovens: amem a vida!
    Fiquem longe das drogas!

    Um abraço de um irmão arrependido,

                            Samuel (12/07/08)