Como fui fraco, como fui tolo 

  

 

Venho de uma longa jornada de sofrimentos. De uma estrada trilhada com muita dor, com muito arrependimento pela fraqueza de espírito, pelo envolvimento precoce com as drogas, com o crime, com a destruição por completo do meu organismo material, com seqüelas em meu corpo espiritual e psíquico, que me acompanham até hoje.

Como fui fraco! Como fui tolo!

Quanto arrependimento permeia os meus pensamentos, permeia a minha alma. Se eu pudesse voltar o tempo faria tanta coisa diferente!

Como eu queria ter de volta a minha vida, a minha adolescência perdida, a minha juventude que eu joguei fora quando me entreguei de corpo e alma ao vício.

Como eu queria ter ouvido os conselhos da minha mãezinha, que só queria o meu bem e pra quem eu não dava ouvidos, com quem eu me irritava facilmente, a às vezes ate agredia, não só com palavras duras, mas até fisicamente.

As drogas me deixavam completamente alterado, ensandecido, totalmente fora de controle.

É muito triste e deplorável o estado em que um dependente químico fica quando está sob o efeito das drogas. O dependente não responde pelos seus atos, é como se fosse outra pessoa. E isto traz muito sofrimento, não só para ele, mas principalmente para as suas famílias, para os seus verdadeiros amigos, para os que querem tira-lo desta vida, para os que querem a sua recuperação.

Mas enquanto não houver o despertar para a realidade, a conscientização do seu estado de penúria, nada parece surtir efeito. Todos os apelos, todas as ofertas de ajuda são inúteis se o dependente não quiser ser ajudado, pois ele não acha que precisa de ajuda, não se julga doente e não admite que precisa de tratamento, acha que trem controle sobre si mesmo, quando na realidade, isto é mentira, e no fundo ele sabe disso. Mas também sabe que o tratamento requer disciplina, requer força de vontade e determinação em atingir um objetivo, que é a cura, mas que implica em deixar para trás momentos de descontração, de relaxamento, de êxtase, de euforia, que lhe dão sensações de prazer.

Eu passei por tudo isso. Mesmo depois de morto, continuava sentindo vontade e compulsão pelas drogas. E sempre arrumava um jeito de satisfazer a minha vontade, me encostando em outros jovens encarnados e literalmente sugando as suas energias impregnadas pelos entorpecentes.

Vivi muito tempo desta forma, até que um dia me cansei de sofrer, de continuar nesta vida e rezei.

Rezei fervorosamente a Deus e pedi auxilio, pedi alívio para a minha dor, para o meu sofrimento, estava cansado de viver vagando sem rumo, assediando outros jovens, dependente não só de drogas, mas também de outras pessoas para conseguir sentir o efeito delas.

Pedi ajuda, pedi compaixão e piedade ao Senhor que nos criou e que nos deu a vida e Ele atendeu as minhas orações.

Hoje estou em tratamento, praticamente recuperado e em estudo e trabalho, num novo lar onde aprendi a valorizar o dom da vida, o dom da amizade, do amor, da caridade, onde conheci pessoas que me querem bem e que muito têm me ajudado.

Obrigado a Deus por toda a ajuda e pela nova chance recebida. E obrigado a vocês pelas orações.

 

Luiz Felipe (27/12/08)