A vida depois...

 

Depois que eu me envolvi com drogas, minha vida não foi nada fácil.

Eu sabia que aquilo me fazia mal, que me fazia perder o controle sobre mim mesmo, que me impedia de trabalhar direito, de pensar com clareza, mas ao mesmo tempo a vontade era tão grande, uma verdadeira compulsão em consumir, que me dava até tremedeira, calafrios quando eu tentava parar com aquilo, mas eu não conseguia.

Por diversas vezes estive internado, por diversas vezes fugi e pus todo o tratamento a perder. Outras vezes eu até levava o tratamento até o fim, mas logo tinha uma recaída e começava o inferno tudo de novo, começava aquela loucura, aquela vontade incontrolável e, eu caia de novo, chegava até o fundo do poço, às ultimas conseqüências para conseguir a droga.

Que triste é a vida de quem é dependente químico... Nos raros momentos de lucidez, eu prometia a mim mesmo que aquilo não voltaria a acontecer, que eu deixaria de me drogar, que eu tentaria resgatar tudo o que eu tinha perdido nestes anos, mas bastava eu ficar sozinho ou me ver contrariado pra começar tudo de novo.

Eu não tive forças nem perseverança suficientes para me recuperar e largar as drogas. E é claro que eu tive um fim trágico e precoce. Morri no mais completo abandono e num verdadeiro estado de alucinação e loucura. Misturei drogas, bebida, perfume, tudo o que encontrei em casa. Abandonado pela minha família, pelos meus amigos, pela minha namorada, por todos que um dia me amaram, se importaram comigo e tentaram me ajudar, mas acabaram se cansando e desistindo de mim.

Mas a misericórdia Divina é infinita e mesmo com todos os erros que cometi recebi ajuda, tive uma mão de luz que se estendeu para mim e me tirou do fundo do abismo em que fiquei mergulhado por muitos anos.

Aprendi que a vida é um bem precioso, que tudo o que fizermos contra a vontade de Deus prejudicará a nós mesmos e que nossa própria consciência é que não terá sossego até que tenhamos nos purificado e corrigido todos os nossos defeitos e todos os nossos erros.

Obrigado por me ouvir. Falar me fez sentir um alívio no peito que estava muito apertado.

Boa noite.

 

João Pedro (28/02/09)