Culpa...

 

 

 

Trago muita culpa dentro de mim. Por todas as coisas erradas que fiz, por todas as oportunidades que joguei fora, por todas as chances que Deus me deu e que eu desperdicei.

Eu era jovem, bonita, bem sucedida profissionalmente e tinha tudo para ter um futuro brilhante, pleno e feliz, mas por acaso do destino, por falta de vigilância e fé acabei desperdiçando a minha vida e me perdendo num caminho que só me trouxe muita dor e sofrimento.

Eu era uma publicitária bem sucedida, que alcancei o sucesso profissional muito cedo e ainda muito jovem me vi diante de um mundo para o qual, hoje sei que eu não estava preparada.

Conheci muita gente importante, grandes empresários, participei de projetos e campanhas grandiosos que acabaram me envaidecendo o ego, me ofuscando a razão e me projetando para um mundo que eu não conhecia. Passei a freqüentar muitas festas, solenidades, recebi prêmios, ganhei muito dinheiro, mas a facilidade e a rapidez com que eu tive acesso a tudo isso, foram demais para a minha alma jovem e despreparada para a vida.

Passei a utilizar drogas, a consumir bebidas com a desculpa de melhorar minha capacidade criativa, de relaxar, de me sentir mais leve, mais solta. Achava que um pouquinho só não teria problema, que não servia o suficiente para me viciar, que era só de vez em quando, que quando eu quisesse poderia parar.

Mas eu estava enganada, como todos que entram neste caminho sempre estão. Não existe essa de auto controle, de dono da situação quando há substâncias que tomam conta do seu corpo, do seu organismo, da sua capacidade de pensar, de raciocinar, de agir de acordo com os seus princípios, de ser você mesma.

Só que quando me dei conta de que eu não tinha mais controle sobre a minha vida, já era tarde demais.

Eu não podia mais trabalhar direito, passava noites em claro, agitada, e aí comecei a tomar calmantes para tentar dormir, só que eu às vezes misturava com drogas, com bebidas e o resultado era devastador. Eu acordava arrasada, prometia a mim mesma que não faria mais isso, jurava que eu procuraria ajuda, mas isso durava só até a próxima dose, até a próxima festa.

Acabei com a minha vida, com a minha carreira, pois eu exagerei tanto que já não tinha condições de trabalhar.

Mas a maior culpa que eu carrego foi a de ter matado o meu filho, de ter impedido que ele nascesse. Quando soube que estava grávida, foi um misto de alegria e de medo. Eu achei que aquela criança seria a minha motivação para me livrar do vício, que ela seria a minha razão de viver, que agora sim eu teria forças para me tratar, me recuperar. Mas eu fui fraca e não consegui parar com as drogas, os calmantes, a bebida. E o que aconteceu vocês já sabem. Tive um aborto, perdi meu filho e pouco depois, muito doente, eu também morri.

Mas isso foi há muito tempo. Hoje não quero nem saber mais de drogas e tenho ocupado meu tempo trabalhando na recuperação de jovens que tem os mesmos problemas que eu tive.

Quero esquecer tudo o que sofri, tudo o que passei mas a culpa e o remorso ainda estão muito vivos dentro de mim.

Tenho esperança de que um dia eu possa me esquecer de tudo isso e tenho buscado forças no Pai que nos deu a vida e que em sua misericórdia infinita estende a mão a todos os seus filhos, mesmo os que erraram muito.

 

Sandra (14/03/09)