Sobre o amor...

 

Hoje vocês falaram muito sobre o amor

Sobre o amor pelo próximo, pela natureza... E eu me senti emocionada com isso. Será que eu sei o que é amor? Não sei...

Gostaria muito de sentir o que dizem que o amor propicia, do que o amor é capaz.

Mas eu acho que eu nunca amei de verdade ninguém. E também não sei se fui amada.

Cresci num orfanato, sem conhecer minha família, minha mãe me abandonou quando eu nasci. Nunca tive carinho de mãe, nem de irmãos. É claro que tive alguns amigos, algumas pessoas boas que cruzaram o meu caminho, mas eu estava tão desiludida, tão fechada para o amor que eu não conseguia me abrir para receber abertamente aquelas demonstrações de afeto e de amizade.

Cresci com sentimento de rejeição, de abandono, pensava “Por que será que ela não me quis?”,  “Será que eu sou tão miserável, tão detestável para ser abandonada deste jeito?”. Sempre tive curiosidade em conhecer minha mãe, mas isso nunca chegou a acontecer.

Quando fiquei maior, ganhei as ruas e comecei a vadiar, a me envolver com pessoas más que me apresentaram as drogas. Minha vida era tão vazia, minha busca por não sei o que só terminou com a morte, ou melhor, isso era o que eu achava, até que descobri que a morte não existe, que continuamos existindo, ainda que de outra maneira, sem aquele corpo que eu tanto usei e maltratei quando estava na Terra.

O vazio que eu sentia, a falta de esperança na vida, a mágoa por ter sido abandonada me perseguiu e me acompanhou por muito tempo. E as drogas eram a minha fuga, a minha forma de tentar esquecer a minha desgraça, a minha solidão interior.

Hoje vivo num lar onde tenho recebido tratamento, afeto, carinho, mas percebi que se eu mesma não me amar, ninguém será capaz de me amar. Que a cura para as minhas feridas está dentro de mim.

Não sei se vou conseguir encontrar o amor que eu tanto procurei durante toda a minha vida. Estou há pouco tempo no “Pouso para o Repouso”, mas estou gostando, me sinto em paz, na medida do possível.

Senhor meu Deus, peço ajuda para que eu possa me equilibrar e aprender a amar verdadeiramente,

 

Alice (11/04/09)