O vazio em minha vida.

 

Sinto como se houvesse fogo me queimando as entranhas. Também, eu tomei tanta coisa, misturei tanta coisa, na busca inútil pelo prazer, pelo êxtase, na tentativa de esquecer os meus problemas, de preencher o vazio que eu sentia dentro de mim...

Mas nada que eu fizesse, nada que eu tomasse conseguia preencher o vazio que havia em minha vida.

O fogo me queima o estomago, a boca, a garganta. Desde aquela noite terrível, em que eu resolvi que acabaria de vez com tudo, que eu decidi que não queria mais viver, que a minha vida não tinha mais sentido, que eu não agüentava mais viver assim e ingeri tudo que encontrei, de álcool e drogas de todo tipo.

Amarga ilusão. Naquela noite em que eu achava que finalmente encontraria a paz e o sossego que eu tanto almejava, que eu finalmente deixaria de sofrer, foi que os piores momentos da minha vida começaram.

Qual não foi o meu desespero quando eu percebi que dera tudo errado, que eu, na tentativa de acabar com o meu sofrimento, começava um sofrimento ainda maior, pois eu exagerei demais nas doses e meu coração parou de bater. A dor no peito, a queimação no estômago, na garganta, a falta de ar, meu Deus, que horror, eu devia estar morto já, eu não devia estar sentindo nada disso.

Um turbilhão de idéias se passava de forma confusa e desconexa pela minha mente; será que a dose não tinha sido suficiente para me matar e por isso eu estava sentindo tudo aquilo? Que estúpido eu fui. Quanta irresponsabilidade e covardia. Sim, covarde é o que eu fui. Covarde para enfrentar os meus problemas, covarde para enfrentar a vida, covarde para assumir as responsabilidades.

Foi assim que eu comecei a me drogar, por covardia. Por medo de enfrentar o mundo. Por achar que as drogas me tornavam mais forte, mais poderoso, mais confiante. Por achar que nelas eu encontraria a felicidade e um sentido para a minha vida. Mas com o passar do tempo eu percebi que as drogas só me faziam afundar ainda mais, que as drogas afastaram de mim todos os que eu amei e que me amaram um dia.

Na hora era bom, mas cada vez o efeito passava mais rápido, cada vez eu precisava de mais, cada vez me sentia pior quando tudo passava e o vazio dentro de mim só aumentava.

E foi por tudo isso que eu tentei acabar com tudo e cometi um grande erro, do qual muito me arrependo e que só piorou ainda mais as coisas, só piorou a minha situação e me fez contrair uma grande dívida para a minha vida perante o Pai da Vida.

Eu não tinha o direito de ter feito isso comigo. Eu não devia ter acabado com a minha vida desse jeito. Mas na época, eu não sabia de nada, eu achava que a vida terminava com a morte do corpo, mas hoje sei que não é assim.

Passei anos sofrendo, no mais completo desespero e abandono. Mas tudo passa, todo sofrimento um dia terá fim. Hoje já estou melhor, em processo de recuperação e desintoxicação do meu corpo espiritual, mas ainda trago profundas marcas do meu desatino e ainda sinto vivos os efeitos do meu ato covarde.

Tento me libertar do passado, tenho recebido apoio e incentivo de grandes amigos que conheci no mundo espiritual e que muito me tem ajudado.

A todos os jovens que lerem esta mensagem deixo o meu abraço e o meu testemunho de que a vida é o maior presente que recebemos de Deus e que as drogas matam ainda em vida.

 

Um abraço, João Carlos (25/04/09)