Morta e enterrada?

Que horror meu Deus, que horror foi aquilo.

Eu estava lá quando me enterraram.

Eu ainda estava ligada ao meu corpo quando fecharam o meu caixão, quando me enterraram.

Nunca imaginei que tamanho desespero pudesse existir. Eu não entendia nada do que estava acontecendo. Ouvia minha família chorando, meus pais e irmãos desesperados, os médicos que tentaram me reanimar dando a noticia de que nada mais era possível e eu tentando gritar que eu estava viva, que eu não tinha morrido, que eu só estava dormindo, não sei por que não conseguia abrir os olhos.

Mas que loucura, como era aquilo, se meus olhos estavam fechados, como é que eu estava enxergando? Se a minha boca não se abria, como eu podia falar? Mas só eu mesma escutava a minha própria voz. Ninguém me escutava. Já sei, pensei, devo estar sonhando, isso deve ser só um pesadelo horrível e daqui a pouco vou acordar. Só que eu não acordei. E vi quando me enterraram, apesar dos meus gritos de que eu estava viva, de que eu precisava de cuidados médicos. Mas ninguém me ouviu. E eu fui parar a alguns metros debaixo da terra, naquele caixão horrível.

Não vou descrever aqui todo o horror que passei, vendo e sentindo meu corpo se deteriorando, se transformando em pó e todo o desespero que senti.

Pensei que tivesse enlouquecido, não acreditava que tanto sofrimento fosse possível.

O que tinha eu feito de tão mal para merecer tamanho castigo? Achei que estivesse no inferno. Lembrei-me das missas que freqüentei quando criança e das ameaças de minha mãe quando descobriu que eu tinha me envolvido com drogas e me dizia que eu iria arder no fogo do inferno.

Mas acho que talvez arder nesse fogo do inferno, do qual minha mãe e a igreja falavam, fosse melhor do que os horrores por que passei.

Eu não entendia por que estava passando por tudo aquilo, alias nem mesmo entendia como era possível continuar sentindo se tudo estava acabado, se eu estava morta e enterrada como eu mesma vi.

Só muito tempo depois de ter morrido é que finalmente um dia fui socorrida e levada para um lugar bom, um verdadeiro paraíso, um hospital onde fui tratada com respeito, amor, carinho e onde pude me recuperar de todo o mal que ocasionei ao meu corpo com o uso das drogas. Neste dia em que fui acolhida por mãos abençoadas e amigas, eu havia me lembrado que talvez Deus existisse e fosse o único que pudesse me ajudar e orei. Orei e chorei de emoção quando vi que minhas preces não foram em vão.

Orei e recebi a ajuda que eu não achava que pudesse existir. Recebi a salvação que eu não achei que fosse chegar nunca.

Como me arrependo das coisas que fiz e hoje sei que todo o horror que vivi foi conseqüência da minha irresponsabilidade, da minha teimosia. Eu sabia que estava agindo errado, sabia que as drogas não prestavam, mas mesmo assim, me envolvi com elas. Mas nunca imaginei que isso trouxesse conseqüências tão graves para a minha vida, para o meu futuro.

Destruí meu corpo, envenenei meu sangue e fiz a pior coisa que eu podia ter feito comigo mesma que foi ter acabado com a minha vida tão cedo enlouquecida pelo efeito das drogas.

Mas isso agora é passado e quero me livrar desta angústia que às vezes me acomete quando me recordo do que passei.

Estou estudando, aprendendo os ensinamentos de Jesus e aprendendo a valorizar a vida que Deus nos deu. Sei que terei uma nova chance e espero ter forças para nunca mais sequer experimentar drogas. Quero ficar bem longe deste horror que só me trouxe sofrimento.

 

Laura (05/09/09)