Depois da morte

 

Aquela claridade, aquela luz imensa foi como uma visão em minha mente tão acostumada por tanto tempo com a escuridão, com as trevas da maldade em que me encontrei mergulhado por tanto tempo.

Depois que eu deixei a vida na Terra, me envolvi com espíritos maldosos que incitavam os traficantes, como eu fui quando encarnado, a envolver mais e mais pessoas, a desencaminhar mais e mais jovens.

Eu continuava acompanhando de perto todo o “esquema” que eu conhecia tão bem, todas as maldades e crimes aos quais eu estava tão habituado. E em parte eu continuava comandando o tráfico, pois induzia, influenciava e dizia o que devia ser feito.

Mesmo depois de morrer eu não me corrigi, mesmo depois de ver as coisas de uma forma mais ampla, de uma forma mais clara, em toda a sua extensão, mesmo sabendo quanto mal eu fiz a tantas famílias e tantos jovens, eu não me arrependi, eu quis continuar envolvido com isso, eu quis continuar nesta vida, como se eu ainda estivesse encarnado.

Não sei quanto tempo fiquei assim. E eu não fazia o menor esforço para me melhorar, eu não fazia a menor questão de me livrar deste vício e deste ciclo vicioso em que me encontrava envolvido.

Mas o fato é que um dia eu vi meu filho se envolver com as drogas. Eu vi meu filho chegar ao “fundo do poço”, vi meu filho sofrer e fazer muitas coisas erradas. Isso mexeu demais comigo. O que eu fazia no mundo do tráfico, o que eu fazia com os filhos alheios, com as outras famílias, nada disso pesava sobre a minha consciência obscurecida, como que anestesiada pela maldade e pela ignorância. Eu achava que a minha família estava imune a tudo isso. Sempre tivemos uma boa vida, com conforto, luxo e riqueza, que não eram questionados de onde vinham, mas que eles achavam que era fruto do meu trabalho honesto.

Acho que eles nunca desconfiaram de onde vinha o dinheiro que nos sustentava, que sustentava os nossos luxos. E eu achava que eles estavam “blindados” deste mundo de crime e de tráfico.

Mas depois que eu morri, minha esposa ficou muito abalada e se esqueceu de meus filhos, que passaram a fazer o que queriam, sem controle algum. E foi assim que meu filho caçula se envolveu com o vício.

Mas a desgraça dele foi o início da minha salvação, pois eu pude sair daquele estado letárgico em que me encontrava, em que nada me fazia sentir compaixão, em que nada me fazia ter arrependimento pelos meus atos.

E foi a partir deste momento que eu fui tomando consciência sobre as minhas atitudes, sobre a extensão do mal que eu fiz a tantos jovens e a tantas famílias.

E orei pelo meu filho, orei pelo meu perdão e pedi ajuda a Deus que me enviou espíritos de luz que me resgataram, cuidaram de mim e me mostraram os verdadeiros valores da vida.

Obrigado meu Deus pela oportunidade que recebi de ser ajudado,

Quero trabalhar um dia para tentar consertar pelo menos parte do mal que causei e a pedir perdão a todos que prejudiquei,

Boa noite a todos e fiquem em paz.

 

Danilo (12/04/08)